segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Como fazer seu próprio videogame baratinho com Raspberry Pi

Olá visitantes,

Hoje trago um tutorial muito legal para todos nós aportadores, pois ele traz duas coisas muito boas juntas: economia e videogame!

Que tal construir seu próprio videogame retrô para jogar todos aqueles clássicos de NES, SNES, Mega Drive, Master System, Atari, Game Boy, Nintendo DS, Neo Geo, Nintendo 64, Playstation, PSP e até mesmo os jogos antigos de PC?



Raspberry Pi


Existe uma plaquinha do tamanho de um cartão de crédito que permite fazer isso a um preço bastante acessível, contanto que você saiba comprar nos lugares corretos, conforme eu vou orientar por aqui. Essa placa é chamada de Raspberry Pi e atualmente ela está na 3ª versão.

O Raspberry Pi em resumo é um pequeno computadorzinho que roda Linux, com 1 GB de RAM, processador de 1.2 Ghz, 4 entradas USB, uma entrada de cabo de rede, Wi-fi e bluetooth embutidos e entrada para cartão microSD. Essa configuração permite, além de várias outras coisas legais, criar um console fodão pra rodar todos os videogames que você teve na infância, impressionar as visitas e levar pra onde quiser.



RetroPie


Felizmente para montar o seu videogame você não precisa de conhecimento algum de Linux. Você só precisa copiar o RetroPie, que é uma ISO do Linux que vem com todo o sistema operacional do console pronto para uso, bastando apenas copiar seu conteúdo para o cartão SD.

O RetroPie é um kit completo que vem com centenas de emuladores dos mais variados consoles, e depois de tudo pronto você só precisa acessar a pasta da rede que o RetroPie cria e a partir do seu PC doméstico copiar as ROMS de cada console para a respectiva pasta. Ele recebe constantes atualizações e permite customizar vários detalhes da interface, fazendo com que o seu videogame se torne único.



O que eu consigo emular com o Raspberry Pi + Retropie?


  • 3do
  • Adventure Game Studio
  • Amiga
  • Amstrad CPC
  • Apple II
  • Atari ST/STE/TT/Falcon
  • Atari 2600
  • Atari 5200
  • Atari 7800
  • Atari Jaguar
  • Atari Lynx
  • CoCo
  • Colecovision
  • Commodore 64
  • Daphne
  • Dragon 32
  • Dreamcast
  • FinalBurn Alpha
  • Game & Watch
  • Game Gear
  • Game Boy
  • Game Boy Color
  • Game Boy Advance
  • Intellivision
  • Macintosh
  • MAME
  • Master System
  • Megadrive/Genesis
  • MESS
  • MSX
  • Nintendo 64
  • Nintendo DS
  • Nintendo Entertainment System
  • Neo Geo
  • Neo Geo Pocket
  • Neo Geo Pocket Color
  • PC
  • PC Engine/TurboGrafx-16
  • PSP
  • PlayStation 1
  • SAM Coupé
  • Saturn
  • ScummVM
  • Sega 32X
  • Sega CD
  • Sega SG-1000
  • Super Nintendo Entertainment System
  • Vectrex
  • Videopac/Odyssey2
  • Virtual Boy
  • WonderSwan
  • WonderSwan Color
  • Zmachine
  • ZX Spectrum


Receita


Você vai precisar de:

  • 1x Raspberry Pi 3 Model B (US$ 39 ou R$ 125 +/-)
  • 1x Cabo HDMI (R$ 20)
  • 1x Fonte de alimentação micro USB (igual a de carregador de celular) 5v 3a (roda também com 2a, mas não é recomendado) (R$ 30)
  • 1x Cartão de memória microSD de pelo menos 8 GB Classe 10 (pegue de marcas mais famosas como Kingston ou Sandisk) (R$ 20-45)
  • 1x Joystick USB de sua preferência (é possível também usar os joysticks do Xbox e Playstation seguindo as orientações da wiki) (R$ 20-30)
  • 1x Case para o Raspberry Pi 3 (varia bastante, a partir de R$ 15)

Total aproximado: R$ 265 (pode ser ainda mais barato se você já tiver alguns dos itens acima)

Você vai precisar também de:

  • 1x PC ou Notebook com entrada para cartão SD (para copiar os arquivos necessários pro cartão)
  • 1x Teclado USB (para fazer o setup inicial no videogame)

Passo-a-passo


Esse tutorial eu resumi do link do Lifehacker que explica um pouco mais detalhado cada passo, mas em geral:

Baixe e instale o Retropie no cartão SD

  1. Acesse https://retropie.org.uk/download/ e baixe a imagem para o Raspberry Pi 3.
  2. Depois de terminar o download, plugue o cartão SD no seu computador ou notebook e use esse programa https://launchpad.net/win32-image-writer/+download para copiar a imagem para o cartão SD.
  3. Após finalizar a cópia, coloque o cartão SD no Raspberry Pi, conecte o teclado USB nele, o cabo HDMI e finalmente ligue-o na tomada.

Ligue seu Raspberry e configure seu joystick


Depois de ligado, o Raspberry vai realizar um setup inicial da sua imagem e automaticamente irá pedir o setup do joystick. Ligue o joystick e faça o mapeamento dos botões seguindo a orientação desse link: https://github.com/RetroPie/RetroPie-Setup/wiki/RetroArch-Configuration

O legal do Raspberry é que a configuração do joystick é automática para todos os emuladores do sistema, então, só é necessário mapear as teclas uma vez.

Configure o wi-fi


Acesse o menu do Retropie, busque o item Wi-fi e conecte-se a rede doméstica da sua casa utilizando o teclado para configurar a senha do seu roteador. Se preferir você também pode plugar um cabo Ethernet ao invés de utilizar a rede sem fio.

Copie os jogos e divirta-se


Você já está basicamente pronto. O que falta agora é copiar os jogos para o sistema, e isso é muito fácil. Acesse \\retropie no seu PC ou notebook e você consegue acessar as pastas do Raspberry via Wi-fi ou rede local.

Navegue até a pasta roms. Lá você irá encontrar uma pasta para cada videogame emulável no sistema. A partir daí é só começar a encher seu cartão SD de jogos, cada um na respectiva pasta.
Para que o console apareça no menu do Raspberry, é necessário ter pelo menos uma ROM do videogame desejado e reiniciar o sistema através do menu que aparece ao pressionar START.


Bônus: personalize seu videogame


É possível mudar basicamente tudo no Retropie, desde a tela inicial de carregamento até a skin do menu do sistema. Além disso, ele possui uma ferramenta de Scrapping, que faz uma varredura das suas ROMS e baixa a capinha do jogo, descrição, data de lançamento e etc! O sistema fica muito foda se você personalizar tudo certinho.

Outra parte muito legal é escolher um case para sua placa, de forma que ela fique protegida e também bonita. A escolha do case varia muito de cada um, tendo opções mais práticas e funcionais com dissipadores de calor ou até mesmo modelos que imitam consoles e arcades. Você pode adquirir os cases no Mercado Livre ou Aliexpress também.




É possível criar até mesmo um console portátil adquirindo uma tela LCD e uma bateria compatível com a placa, além de ter habilidades manuais e criatividade :)

Onde comprar?


O segredo pra economizar é ter um pouco de paciência e comprar o seu Raspberry Pi 3 no AliExpress. Comprando direto no Brasil a placa custa uns R$ 250-350, podendo ser mais que o dobro do que você paga comprando da China. Eu comprei a minha placa há alguns meses desse vendedor e chegou em um mês, sem impostos.

O cartão MicroSD é um item que vale a pena pegar em uma promoção, pois de tempos em tempos aparece algum barato na Americanas ou Submarino. Dica: use o www.gafanhotoapp.com.br para procurar promoções, melhor ainda se instalar o app no celular, porque aí você pode criar um filtro das promoções do seu interesse e assim que aparecer alguma coisa ele te notifica automaticamente. Como o intervalo de tempo até chegar o Raspberry é de cerca de um mês, você pode ficar a vontade pra pechinchar esse e os demais itens da lista.

A fonte de alimentação é mais específica, por isso é mais fácil procurar no Mercado Livre fontes para o Raspberry Pi 3 (atenção no modelo pois as versões anteriores não exigiam 3a).

Cabo HDMI dá pra achar em tudo quanto é canto. Verifique o comprimento do cabo e também da fonte de alimentação.

O joystick é um caso à parte. A maioria dos entusiastas do Raspberry Pi opta por comprar joysticks similares aos dos antigos videogames como o de Snes. É uma boa e barata opção porém esse tipo de joystick irá te limitar um pouco na hora de emular videogames mais novos como o N64. Se você optar pelos similares de Snes, compre também no AliExpress ou no Mercado Livre, sempre atento aos reviews dos outros usuários. Se você deseja um joystick mais dinâmico opte por um similar ao do Playstation ou o oficial do Xbox 360 com fio (é possível também usar sem fio tendo o adaptador para PC).

Por último, escolha o case de acordo com seu gosto pessoal. É possível fazer overclocking da placa, mas isso fará com que ela esquente além do normal, sendo importante o uso de um dissipador de calor que vem com alguns cases, mas em geral a placa consome pouquíssima energia e portanto esquenta pouco. Se preocupe mais com a resistência ao impacto pois a placa é frágil e desprotegida. Existem pessoas que até mesmo montam seus próprios cases.

Explore as possibilidades


O Raspberry Pi possui uma comunidade muito forte e existem inúmeras aplicações para a placa. Se você manja de eletrônica você vai gostar bastante de ver tudo que é possível fazer com ela. Notebooks, servidores, home theaters, IoT... o céu é o limite. Vale a pena pesquisar bastante sobre o assunto.

Abraços!



segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fechamento do mês - Jul/16

Olá aportadores,


Julho foi um mês um tanto longo e chato pra mim, poucas novidades, problemas domésticos e um certo desânimo geral. Estou enfrentando mudanças no dia-a-dia familiar e tenho que servir de suporte pra um monte de gente. Isso cansa bastante.
Rentabilidade dentro do esperado sem maiores surpresas, mas o foda vai ser agora em agosto pois eu tenho gastos sazonais com seguro de carro e outras despesas, que provavelmente vão fazer com que meu aporte seja zero.
O tesouro direto continua sendo o melhor investimento do ano, com o preço de venda cada vez mais alto, e isso porque a SELIC ainda nem começou a cair. Por enquanto vou continuar segurando, acho que vale a pena.
Carteira de FIIs deu mais uma boa valorizada, o que é bom porém isso afasta um pouco os FIIs como destino de novos aportes, pois eles valorizaram rápido demais em 3 meses. Queria que tivesse demorado mais um pouquinho. Quanto aos bitcoins estão bem mornos, deu uma caída agora no último dia do mês, o que é bom para novos aportes, porém estou muito próximo de atingir 10% da carteira em bitcoins, um número que já considero extremo pra essa modalidade de investimento.

Atenção aos investidores pra ficarem de olho no Biva, uma plataforma de financiamento de empresas que promete até 25% a.a. Eles estão redesenhando toda a proposta do produto e parece que vai ser uma boa forma de diversificar os investimentos pra quem tem um perfil mais arrojado.

Segue o resultado do mês:

Aporte: R$ 3400,00
Evolução do patrimônio no mês: 2,53%



Abraços!

terça-feira, 12 de julho de 2016

Carteira do Nerd

Olá aportadores,

Algumas pessoas tem me questionado nos comentários qual seria a minha carteira de ativos atual. Sim, é o mínimo que um blog desse perfil deveria publicar, mas eu sou preguiçoso e sempre posterguei essa tarefa, até agora rs.

Eis a carteira do Nerd, destrinchada:

Fundos imobiliários (17,5% da carteira)

Comecei essa carteira em fevereiro para capturar a recuperação lenta da economia e a queda da taxa básica de juros, além de buscar a renda recorrente dos aluguéis.

Eis os títulos que a compõem divididos em fatias da carteira:



Como podem ver é uma carteira extremamente diversificada. O yield médio dela está em torno de 0,96% ao mês, além dela já ter valorizado aproximadamente 10% desde o começo. A idéia aqui é diluir o risco inerente aos aluguéis e buscar ter imóveis de diferentes tipos. Sigo indicações de serviços contratados para análise de papéis pois não sou bom nisso e nem tenho interesse de estudar a fundo cada título.

Tesouro Direto (51% da carteira)

Carteira bastante defensiva baseada em IPCA 2024 e Pré-fixados, todos adquiridos antes de Janeiro/2016 (onde os títulos ainda refletiam a expectativa de aumento na Selic, que foi revertida inesperadamente). Por isso se eu vender tudo agora a mercado estimo um ganho líquido de uns 10% no valor total da carteira. Talvez eu venda alguns pré-fixados quando a Selic efetivamente começar a cair e troque por IPCA 2035, mas por enquanto a estratégia é manter.



Bitcoins (9% da carteira)

Bom desde o ano passado eu comento sempre sobre bitcoins aqui e hoje aloco quase 10% da minha carteira na moeda virtual. Quanto mais eu leio sobre mais me empolgo sobre as perspectivas futuras com os bitcoins. Acredito que em meio as crises iminentes que podem explodir a qualquer momento na China e Europa além do mar de dinheiro barato que os BCs do mundo inteiro desovam afim de segurar a crise e deixar pra próxima geração a conta dessa brincadeira, muitos investidores irão procurar refúgio nos bitcoins e altcoins diversas. Fora as vantagens tributárias de estar fora do alcance do fisco e do sistema financeiro em geral. Se você presta serviços, trabalha como PJ, faz freelas... estude e aproveite as vantagens da moeda.
Sim minha alocação é relativamente alta e quero manter em no máximo 10% para minimizar o risco.

CDBs, LCIs e Poupança (20% da carteira)

Aqui não há muito o que detalhar. Compro títulos de bancos menores com prazos de 2 anos em média pagando acima do CDI, além de deixar uma parte menor em um CDB de liquidez imediata para poder utilizar em oportunidades pontuais de mercado (crashs da bolsa por exemplo).

Free float (2,5%)

Essa grana eu dedico para meu playground. Compro e vendo ações geralmente em swing trades. Essa hoje é a grana que eu uso para ações.

Porque não tem mais dinheiro em ações?

Estou sem paciência com a bolsa de valores, os fundamentos foram deixados de lado faz tempo enquanto a política não é arrumada no Brasil. Por isso desisti por um tempo de formar uma carteira de dividendos como já fiz no passado e tive muita dor de cabeça. Fico triste pois a nossa bolsa de valores é muito limitada, não existem start-ups, não existe inovação, apenas empresas gigantescas, boa parte delas amarrada com as merdas do governo, e as que podem fecham capital e caem fora. Pra mim não está valendo a relação risco x retorno. Faço meus tradezinhos com o pequeno capital direcionado para isso e já era. Digo isso como uma pessoa que por muitos anos tentou e patinou bastante na bolsa. Hoje durmo tranquilo.

De quanto dinheiro estamos falando?

Aproximadamente R$ 440k. O mais interessante é que a carteira tem crescido rápido desde o começo do ano passado onde a crise pegou forte. Em Janeiro/2015 era de +/- R$ 300k. Fui pra defensiva, além de ter conseguido aportar forte em alguns meses com rendas extras, e deu certo.

É isso aí!



quinta-feira, 30 de junho de 2016

Fechamento do mês - Jun/16

Olá aportadores,

Junho pra mim foi um mês longo e cheio de altos e baixos, mas acabou tudo bem. Os bitcoins tiveram uma alta absurda (bateu 780 dólares vs 580 do começo do mês) e fecharam agora no patamar de 670. A moeda ainda é muito volátil e assusta bastante com tanta oscilação mas é isso aí, dinheiro digital fora das garras do fisco. Com a queda do dólar a valorização da digimoeda em reais foi bem pequena.

Esse mês teve o Brexit que eu achei fantástico e procurei estudar bastante sobre o assunto pra entender melhor as consequências. Gostei do documentário sobre o Brexit que mostra claramente o cabide de emprego para burocratas que a União Européia se tornou e como um Estado gigante, centralizador e regulador empaca toda uma economia (basta olhar para o Brasil). Quem quiser conferir, é 1h de duração muito bem aproveitada:


Quis entender melhor sobre o tema pois a grande imprensa brasileira é de péssima qualidade principalmente sobre assuntos internacionais. Num país onde metade da população ainda caga no mato tem brasileiro querendo dar pitaco sobre como o Reino Unido deve conduzir a própria economia. O que eu vi foi basicamente ideologia política de esquerda, como sempre, demonizando os britânicos, acusando os idosos, pedindo novo referendo (a democracia só é boa quando agrada a esquerda). Se é pra defender a Dilma, ela foi eleita legitimamente, mas referendo cujo resultado não agrada a esquerda deve ser refeito sem problemas. Ai ai ai. Via de regra: se toda a imprensa mainstream brasileira está falando mal de algo, provavelmente aquilo é bom, e vice-versa.

Aqui no cenário doméstico tivemos a já mencionada queda do dólar que é muito bom principalmente para nerds muambeiros como eu. O novo governo tenta mostrar austeridade e força na economia enquanto continua abrindo o caixa e liberando geral, coisa que me deixa bastante confuso. Duvido MUITO que consigam realmente colocar a inflação nos 4,5%. Vou segurar o otimismo e deixar arder antes de mexer muito nos investimentos. A única coisa que eu queria muito que o Temer fizesse é PRIVATIZAR OS CORREIOS. Acredito que essa mudança traria um efeito cascata muito positivo no Brasil com redução de custos de frete, maior velocidade de entrega, e-commerces mais eficientes e etc. Por favor Temer nunca te pedi nada.

Como já falei os bitcoins dispararam e logo depois caíram e devolveram todo o ganho e logo depois subiram de novo lentamente. Teste pra cardíaco. A longo prazo os fundamentos da criptomoeda continuam sólidos e eu acredito muito nessa idéia. Aumentei o percentual de bitcoins na carteira.

Além disso os FIIs continuam bem, esse mês nada de muito interessante ocorreu. Comprei VALE5 por motivos de pura especulação com PM de R$ 12,15 e vamos ver se consigo bater pelo menos os 14 esse mês.

Eis o fechamento:

Aporte: R$ 2682,00
Evolução do patrimônio no mês: 2,05%
Evolução do patrimônio no semestre: 15,17%



Não posso reclamar desse semestre. Nenhum mês no negativo. Mantendo esse desempenho eu adianto muito meus objetivos. Eu também tenho um saldo positivo não-contabilizado no Tesouro Direto pois eu considero a valorização estimada dos papéis e não o valor de mercado atual, o que iria aumentar ainda mais o resultado.

É engraçado também ver como meu perfil de investidor mudou com os anos. Eu errava muito no começo, era afobado, arriscava demais, perdia dinheiro muito fácil. Quando eu parei e decidi ser bastante conservador meus investimentos performaram muito melhor do que eu imaginava.

É isso aí. Que o próximo semestre confirme o impeachment da desgraçada e que os ares de otimismo continuem a soprar no Brasil.

Abraços!


quinta-feira, 16 de junho de 2016

E3 é a semana da alegria dos nerds

Hoje está acabando a edição 2016 da E3. Para quem não conhece, a E3 (Electronic Entertainment Expo) é uma feira anual que ocorre sempre nesse período de junho em Los Angeles e mostra as últimas novidades para os jogadores do mundo todo.

Nos últimos anos a convenção melhorou bastante (chegou até a correr o risco de sumir alguns anos atrás) e agora é possível assistir tudo ao vivo pela internet. A cobertura jornalística também subiu de nível e as bizarrices que haviam nas edições anteriores desapareceram dando lugar a um evento mais maduro, focado e interessante para todos os públicos.

Em geral é a semana relacionada ao entretenimento que eu mais gosto. Como não sou fã de nenhum esporte, é onde eu consigo tirar o foco da realidade bosta que nos cerca e realmente me sentir empolgado com as novidades.

Esse ano foi bom, mas não melhor do que o ano passado. Eis a lista de games que me deixaram mais empolgado:


  • Zelda: Breath of the Wind

Esse é um jogo que eu estou esperando há muito tempo. Anunciado desde a E3 2013, só agora pudemos ver o que a Nintendo estava preparando e o resultado ficou sensacional. Um Zelda com mundo aberto, sem muita enrolação, mapa gigante e jogabilidade fantástica. Gostei bastante e pra mim foi o que ganhou o show, mesmo sendo para o Wii U que é extremamente inferior que as plataformas concorrentes.

  • God of War (IV)

Kratos está de volta de maneira muito diferente do que estamos acostumados. Antes um semi-deus louco cego pela vingança, agora vemos ele como um pai, tentando ensinar seu filho a sobreviver na natureza cheia das criaturas medonhas. A mudança de abordagem da série vem em boa hora pois a fórmula anterior já havia sido levada à exaustão. Com certeza um jogo pra ficar de olho.

  • Horizon: Zero Dawn


Esse aqui foi uma surpresa pra mim pois eu até então não tinha visto muita coisa sobre ele, mas fiquei impressionadíssimo pela qualidade do gameplay no trailer e é um que com certeza irei comprar logo no lançamento. Uma temática futurista e tribal ao mesmo tempo, um mapa enorme e um sistema de batalha bem interessante. Vejam o vídeo e tirem suas próprias conclusões. 

  • South Park: The Fractured But Whole


South Park é foda e está se reinventando no mundo dos consoles. Eu ainda não joguei o jogo anterior e com certeza irei fazê-lo em breve. Esse parece bem engraçado e cheio de piadas politicamente incorretas pra incomodar os histéricos.

  • Resident Evil 7


A série tenta novamente recuperar o prestígio que teve no passado e foi perdido nos últimos dois jogos canônicos. Eu joguei a demo que já está disponível para assinantes da PS+ e achei bem legal a nova abordagem que lembra muito outro jogo, Outlast. Mas ainda quero ver se o jogo será apenas de sustos ou eu vou poder meter bala na cabeça de zumbis.


Esses aí foram os que mais me chamaram a atenção e eu agora vou aguardar o restante do ano por novidades e datas de lançamento.

É uma época boa para mim pois eu me distraio bastante dos problemas corriqueiros da política, violência urbana (pessoa próxima a mim foi assaltada essa semana) e toda a porcaria que nós estamos já ficando calejados de ver. Eu adoro videogames, considero uma forma excelente de terapia depois de um dia ruim, uma alternativa ótima de se passar um final de semana descansando (a um custo baixo ainda por cima) e defendo esse hobby com unhas e dentes.

Retomando um dos tópicos anteriores que falei sobre educação financeira e isolamento social, um dos atuais sites mais famosos sobre games no Brasil, composto pela mesma panelinha de pseudo-jornalistas retardados que citei no post fez uma matéria sobre a E3 e adivinhem... reclamaram da falta de representatividade de minorias (veja se tiver estômago: http://overloadr.com.br/especiais/2016/06/e3-2016-a-industria-dos-videogames-lamentou-o-massacre-lgbt-nos-eua-mas-foi-suficiente/), reclamaram que não prestaram a solidariedade devida ao massacre ocorrido na boate Pulse, e chegaram ao ponto de reclamar que o novo God of War é um jogo extremamente patriarcal que ensina valores errados. ATENÇÃO: ESSE É O NÍVEL DA IMPRENSA GAMER BRASILEIRA - ELES FALAM MAL DE JOGOS E FAZEM MEA-CULPA SOBRE A INFLUÊNCIA DELES EM MASSACRES. Esse tipo de coisa me tira do sério. O progressismo chegou a níveis insuportáveis, a ponto de um imbecil frustrado usar uma feira de games para procurar pontos de problematização irracionais e escrever textos críticos sem o menor sentido, talvez com o intuito de se achar inteligente sem precisar ler livros e até comer alguém sem precisar ter qualidades.

Eis que eu sou puxado de volta para a realidade chata dessa gente que é mais moralista e reclamona do que minha vó na época que ela via eu jogar Doom 2 no Pentium do meu tio e achava aquilo horroroso, só que agora é uma versão atualizada desse pensamento feita por adultos de mais de trinta anos que pintam o cabelo de rosa, fumam maconha e praticam o poliamor.

Eu quero continuar gostando dos jogos. Que eles continuem inovando, crescendo, fornecendo cada vez mais opções divertidas de entretenimento, que busquem temas originais, que sirvam como válvula de escape. Que acima de tudo, sejam divertidos e não se deixem contaminar pela opinião de pessoas frustradas e amargas.

Obrigado a todos os profissionais sérios envolvidos nos jogos que listei acima e vamos aguardar a próxima E3! Só faltam 362 dias!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Um exemplo simples do custo do Estado

O Brasil é inacreditável! Vejam a matéria abaixo:



Resumo da história: os moradores de uma cidade do Rio de Janeiro imploravam para que a prefeitura construísse uma simples ponte que ligava um lado do outro de um rio, para que a população não precisasse andar 2 km pra conseguir dar a volta completa. 20 anos de espera, muitas desculpas, um orçamento pela prefeitura de 2 milhões de reais e burocratas vagabundos dizendo que não haviam recursos públicos para tal.

Os moradores se mobilizaram e construíram a ponte eles mesmos, por um custo de 5 mil reais. O povo mesmo construiu nos finais de semana, o que teria levado 8 dias corridos de trabalho.

A prefeitura alega que a obra foi construída por esse preço por não terem sido feitos laudos técnicos e estudos necessários. Vejam o vídeo e avaliem se o trabalho da prefeitura com os 2 milhões de reais teria sido tecnicamente superior a ponto de justificar o preço.

R$ 2 milhões => R$ 5 mil e boa vontade.

Pensem agora nos bilhões destinados à educação e saúde e imaginem em que bolsos eles estão.

„(...)"Existem apenas quatro maneiras de você poder gastar seu dinheiro. Você pode gastá-lo com você mesmo. Quando você faz isso, e você pode realmente ver o que está fazendo com ele, você tenta usá-lo da melhor forma possível. Mas você pode gastar seu dinheiro com outra pessoa. Por exemplo, eu compro um presente de aniversário para alguém. Bem, eu não estou preocupado com a eficácia satisfatória do presente, mas estou atento quanto ao seu custo. Então, eu posso gastar o dinheiro alheio comigo mesmo. E se eu gasto o dinheiro alheio comigo mesmo, então eu tenho certeza de que terei um bom almoço! Finalmente, eu posso gastar o dinheiro de alguém com outro alguém. E se eu gasto o dinheiro de alguém com outro alguém, eu não me importo com o custo e não me importo com o que conseguirei satisfazer. E isso é o governo. E isso é cerca de 40% do PIB.“
– Milton Friedman

sábado, 4 de junho de 2016

Educação financeira e isolamento social

Uma das consequências de começar a ir atrás de se virar com as próprias pernas, depender menos do Estado e entender melhor de economia é o isolamento social e a revolta que sinto cada vez que ouço conversas fúteis, vejo comentários idiotas sobre dinheiro e principalmente observo o comportamento das pessoas com quem convivo com relação a independência financeira e planos de vida.

O Brasil vem de um passado onde a economia era uma merda completa, os governantes eram e são o que há de pior na face da Terra e a escola desde a época da ditadura é um antro de professores marxistas. Dito isso, não é nenhuma surpresa constatar que:

  • brasileiro não entende nada de economia
  • brasileiro não sabe lidar com dinheiro
  • brasileiro não faz a menor idéia de como funciona o dinheiro
  • brasileiro não faz idéia se o dinheiro possui lastro real
  • brasileiro não entende como funciona a dívida pública
  • brasileiro não entende o PIB
  • brasileiro não sabe explicar o papel do Estado
  • brasileiro não sabe os impostos que paga
  • brasileiro não faz questão nenhuma de saber nada disso que eu falei
  • brasileiro mesmo assim opina sobre tudo isso que eu falei

O que mais me deixa triste com relação a tudo isso é que esse tipo de perfil não é restrito ao brasileiro pobre ou sem instrução. Ao contrário, os que mais se metem a falar sobre economia sem saber são pessoas com faculdade, de famílias de classe média ou ricas, que nunca passaram necessidade e que não deixam de comprar o último Iphone, nem que seja em 24x.

A consequência de tudo isso, pelo menos pra mim, é que às vezes eu me sinto completamente sozinho e sem ter com quem conversar sobre o que penso. Veja bem, não sou nenhum intelectual nem profissional nem especialista em porra nenhuma sobre economia, mas procuro me informar bastante, ler livros sobre o assunto, entender a fundo questões sobre o papel do Estado, impostos, formação de patrimônio. São assuntos corriqueiros e pelo menos pra mim, essenciais para sobreviver ao Brasil de hoje. Entender com clareza qual é a herança deixada pelo PT, qual o estrago causado pelas distorções na economia da tal nova matriz econômica da Dilma, refletir sobre a necessidade real do salário mínimo, da pesadíssima CLT, do buraco negro que são os gastos públicos com saúde, educação e infraestrutura.

Essa visão foi reforçada com a leitura do livro As vantagens do pessimismo, que eu terminei recentemente. O livro mostra como é importante ter essa visão crítica sobre assuntos econômicos e políticos para não nos deixarmos cair na lábia de políticos utópicos e vendedores de ilusões. Uma dose correta de pessimismo pode tornar as pessoas mais racionais e escapar de armadilhas que a história já provou inúmeras vezes. O socialismo é basicamente uma ilusão gigante de que é possível atingir uma espécie de nirvana existencial coletivo, contanto que todos abram mão de seus desejos individuais e queiram se tornar formigas niilistas, todas unidas num objetivo comum de serem nada e desejarem o nada, de viverem pelos outros em troca de nada e nada mais.

Eu hoje consegui acumular um patrimônio que considero razoável, mas que perto de outras pessoas eu pareceria um multimilionário. Não fiz nada além do que considero minha obrigação como ser humano independente, racional e livre. Meu objetivo com isso não é de gastar tudo com inutilidades, luxos ou ostentações, mas sim de me desamarrar da obrigação de trabalhar com o que eu não gosto, de não precisar adular nenhum político, de compreender melhor o funcionamento do mundo em geral, de garantir uma aposentadoria digna e honesta, onde eu não dependa do que é extorquido dos que trabalham.

Como todo nerd, gosto muito de ler notícias sobre games, filmes e entretenimento em geral. Mas essa diversão se tornou um stress absurdo quando vejo os ~jornalistas~ da área opinando sobre falta de ministras mulheres no governo Temer, puxando saco de feministas histéricas que se ofendem por qualquer coisa e tentam assassinar reputações de pessoas, discutindo progressismo e representatividade em videogames. Puta que pariu. Eu quero jogar videogame porra. Não quero saber se as mulheres estão bem representadas no jogo X. Não quero discutir se o protagonista do filme Y deveria ser negro. Eu não ligaria se eu controlasse um travesti num jogo de tiro, contanto que exista uma boa razão para isso ao invés de ser algo puramente para agradar alguma porcaria de jornalista inútil que acha que sua opinião é valiosíssima. Essa área de jornalismo geek é um barato: todo mundo pensa igualzinho. É a mesmíssima opinião sobre feminismo, meritocracia, Donald Trump, Dilma, cotas estudantis... quem pensa diferente é enxotado da panelinha. Imagine agora como deve ser a redação de um jornal de verdade. Nada muito diferente disso. Chegamos ao ponto de estarmos nessa merda completa no Brasil e ocorrerem debates nesse meio geek sobre arranjar uma namorada pra Elza do Frozen. Talvez o grande problema do Brasil seja a falta de homossexuais em desenhos infantis?

Pseudo-jornalista gamer solicitando que a Blizzard suspendesse uma campanha promocional de um novo jogo com Danilo Gentili pois na opinião dela ele é uma espécie de demônio homofóbico racista misógeno


Não consigo mais frequentar sites ou ouvir podcasts sobre coisas nerds no Brasil. Não consigo mais ouvir pessoas conversando sobre financiamentos ou estratégias estúpidas pra adquirir patrimônio. Não aguento brigas familiares por causa de quinhentos reais. Me irrito quando ouço colegas de trabalho discutindo sobre como gastar o mais rápido possível qualquer dinheiro extra. Me estresso quando minha família e amigos enchem o meu saco e tentam opinar na minha vida sobre como eu deveria usar o meu dinheiro.

Já tentei disseminar algumas coisas que aprendi sobre dinheiro e investimentos. Fiz até slides e apresentei para algumas pessoas. Indiquei livros. Tentei abrir a cabeça sobre o funcionamento do dinheiro. Não consegui nada além de um ou outro começar a colocar uma merreca no Tesouro Direto para aposentadoria. E a maioria deles ainda defende que a Luciana Genro ou a Marina Silva seriam boas opções para 2018. Achei que com o tempo o perfil das pessoas acabaria mudando, mas não é o que está acontecendo.

Quanto mais estudamos e entendemos sobre economia e política mais nos distanciamos do resto das pessoas com que convivemos e toleramos menos as idiotices que são disseminadas como verdades irretocáveis. Toda uma geração de pessoas mais interessadas em adorar o Estado e continuar dependendo dele do que encarar a realidade e andar com as próprias pernas. O futuro dirá quem tem razão.